Sua empresa está com deficiência de aprendizagem?

09-12-2016

  • São poucas as grandes empresas que chegam à idade média de uma pessoa. Na maioria das empresas que 'desaparecem', há muitos indícios prévios de existência de problemas. Entretanto, esses indícios são ignorados, mesmo quando alguns gerentes têm ciências deles. A organização como um todo não consegue reconhecer as ameaças iminentes, compreender-lhes as implicações ou a elas encontrar alternativa.

Mas e se a taxa de mortalidade das empresas for apenas um sintoma de problemas mais profundos que afligem a todas, e não apenas as que morrem? E se até as empresas bem-sucedidas são incapazes de aprender e apenas sobrevivem sem jamais explorar todo o seu potencial? E se, à luz do que as empresas poderiam ser, "excelência" for, na verdade, "mediocridade"?

Se as deficiências de aprendizagem são trágicas em crianças, especialmente quando não detectadas, mais alarmantes ainda se mostram nas organizações, onde em geral são amplamente ignoradas. A primeira etapa para corrigir tal situação é começar a identificar as sete deficiências de aprendizagem:

1. "Eu sou o meu cargo"

Somos treinados para sermos leais no cargo que ocupamos - tanto que o confundimos com a nossa própria identidade. Quando alguém pergunta a uma pessoa o que ele faz para viver, a maioria descreve as tarefas que executa no dia a dia, e não o propósitomaior da empresa onde , trabalha. A maioria se vê dentro de um "sistema" sobre o qual tem pouca ou nenhuma influência. Elas "fazem seu trabalho", dedicam seu tempo e tentam conviver com forças sobre as quais não exercem controle algum. Consequentemente, tendem a considerar suas responsabilidades limitadas às fronteiras do próprio cargo.

Quando as pessoas na organização se concentram exclusivamente no cargo que ocupam, elas têm pouco senso de responsabilidade em relação aos resultados da interação de todos os outros cargos. Além disso, quando os resultados são frustantes talvez seja muito difícil descobrir as razões. Resta apenas presumir que alguém "fez alguma besteira".

2. "O inimigo está lá fora"

Exite em cada um de nós uma propensão de encontrar alguém ou algo, uma rezão externa para culpar quando as coisas não dão certo. Algumas organizações elevam essa propensão ao status de mandamento: "Encontrarás sempre um agente externo para culpar".

Na verdade, a síndrome "o inimigo está lá fora" é um subproduto de "eu sou meu cargo", e das formas não-sistêmicas de olhar o mundo favorecidos por essa abordagem. Quando nos concentrarmos apenas no cargo que ocupamos, não conseguimos enxergar como nossas ações se estendem além dessas fronteiras. Quando as consequências acabam retornando e nos prejudicando, interpretamos incorretamente esses novos problemas como se fossem provocados por causas externas. Como uma pessoa que esta sendo perseguida pela própria sombra, aparentemente não conseguimos nos livras deles.

"O inimigo está lá fora", entretanto, é quase sempre uma história incompleta. Normalmente, "lá fora" e "aqui dentro" pertencem a um sistema único. Essa deficiência de aprendizagem torna praticamente impossível detectar mecanismos de alavancagem¹ que podemos usar para lidar com os problemas que ocorrem "aqui dentro" e aumentarem a distância entre nós e o "lá fora".

Continua no próximo artigo...

Notas:

¹ Alavancagem: a identificação de onde as ações e mudanças nas estruturas podem levar a melhorias e duradouras.

Bibliografia:  A Quinta Disciplina - Arte e Prática da Organização que Aprende - Peter Senge - Editora Best Seller

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